Francine Shapiro: a criadora do EMDR

Olhar para a dor é um caminho para superá-la.
 Francine Shapiro

EMDR é um dos temas que publicaremos neste blog, pois essa também é uma abordagem de nossa clínica. Então, vamos começar do início, compartilhando algumas informações sobre a autora que desenvolveu. Para construir este conteúdo, realizamos pesquisas na web e, com a ajuda do ChatGPT, encontramos alguns sites que relatam sua história e adotamos para compor esse material.

Introdução
Francine Shapiro foi a criadora do EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing), uma abordagem terapêutica reconhecida mundialmente no tratamento de traumas psicológicos. Seu trabalho revolucionou a psicoterapia contemporânea ao propor um método cientificamente embasado, que integra corpo, emoções, mente e memória. Seu legado ultrapassa a técnica: é um testemunho do poder da observação pessoal, do rigor científico e da compaixão clínica.

Infância e Origens
Francine Shapiro nasceu em 18 de fevereiro de 1948, no bairro East New York, Brooklyn, Nova York, EUA, filha de Daniel Shapiro (mecânico e proprietário de oficina e táxis) e Shirley Shapiro (dona de casa). Teve três irmãos mais novos. A morte de sua irmã Debra, em 1965, foi descrita como um evento profundamente marcante em sua infância [¹]. Não há dúvida de que a perda precoce de alguém significativo deixa fortes memórias em nosso cérebro, e certamente não foi diferente para Francine Shapiro.

Fiquei muito curiosa para saber mais sobre sua origem, e fomos buscando pistas na web. De acordo com a Wikipédia em francês e alemão, Shapiro nasceu em uma família judia ashkenazi tradicional, tendo vivenciado práticas culturais judaicas durante a infância [²][³]. Não há registros de que tenha mantido vida religiosa ativa na fase adulta. O sobrenome Shapiro, por sua vez, é comumente associado à origem judaica ashkenazi da cidade de Speyer (Spira), na Alemanha [⁴].

Formação Acadêmica
Em 1968, Shapiro concluiu sua graduação em Letras na Brooklyn College – City University of New York (CUNY). O seu mestrado foi em 1975. Em 1974, enquanto professora de inglês em período integral no ensino médio, ela matriculou-se em um programa de doutorado em literatura inglesa, na New York University. Em 1979, já tendo concluído todas as etapas, exceto a  dissertação, ela foi diagnosticada com câncer de mama[¹]. Depois de todas as questões de saúde, em uma fase de redirecionamento profissional motivada  decidiu voltar-se para a psicologia. Em 1988, obteve o título de Doutora (Ph.D.) em Psicologia Clínica pela Professional School of Psychological Studies, na Califórnia [¹][⁵].

Durante e após sua recuperação, ela passou interessar-se profundamente pela conexões mente, corpo, saúde. especialmente como esse fatores psicológicos influenciam o sistema imunológico, como citado abaixo num texto da EMDR Toronto.

“Em uma entrevista com Joany Spierings da Associação Holandesa de EMDR, quando perguntada: “Como você descobriu o EMDR?”, Francine respondeu: “Tudo começou 10 anos antes da descoberta propriamente dita, quando eu tive câncer. E isso mudou meu foco do trabalho que eu estava fazendo para um doutorado em literatura inglesa e colocou a concentração na mente e no corpo. Porque toda a área da psico-imuno-neurologia estava apenas começando a surgir. E nós começávamos a perceber a interação entre o estresse e diferentes processos de doença. Parecia muito intrigante para mim que, como sociedade, fôssemos tão tecnologicamente avançados a ponto de colocar um homem na lua, mas ainda não estivéssemos conscientes de como lidar com questões da mente e do corpo. Então isso chamou minha atenção. Passei a usar minha mente e meu corpo como um laboratório para explorar essas diferentes. intervenções e técnicas.”

“Após o diagnóstico de câncer, Shapiro levou essas palavras a sério. Ela recordava o impacto da franqueza de seu médico ao anunciar que estava livre da doença: “Seu câncer desapareceu, mas x por cento têm recaída. Não sabemos quem e não sabemos como. Então, boa sorte!” . Decidindo deixar sua vida em Nova York para trás, vendeu seus pertences, comprou uma van Volkswagen e iniciou uma jornada de autodescoberta pelos Estados Unidos. Essa busca a levou a um período de profunda introspecção, grande parte vivida na solidão do deserto. Esse tempo de solidão e autorreflexão permitiu que Shapiro se conectasse profundamente consigo mesma e com o mundo ao seu redor, preparando o terreno para sua descoberta transformadora” (trecho extraído da EMDR Toronto).

Não foi encontrado registro de que tenha cursado psicologia na graduação. Seu acesso ao campo clínico deu-se principalmente por meio do doutorado em psicologia, pesquisas independentes e desenvolvimento prático da abordagem EMDR.

Gênese do EMDR

A descoberta propriamente dita do EMDR surgiu de maneira inesperada, numa observação casual que fez, na primavera de 1987, durante uma caminhada num parque. Shapiro percebeu que seus pensamentos perturbadores pareciam perder intensidade ao mover os olhos lateralmente. Ela diz também ter percebido que quando trazia os tais pensamentos de volta à mente, eles já não eram tão incômodos ou não tinham a mesma importância de antes, estando os mesmo desaparecendo e se modificando sem que fizesse qualquer esforço consciente. Ela passou a observar que quando os pensamentos perturbadores vinham à mente, os olhos começavam a se mover espontaneamente e com rapidez em diagonal. Com o fascínio, ela passou a fazer de modo intencional e o mesmo fato acontecia. Passou a fazer isso em seus amigos, colegas e participantes dos workshops em psicologia que fazia [6].

Curiosa com o fenômeno, iniciou uma série de experimentos que resultaram na estruturação de um protocolo terapêutico replicável e testável. Ela publicou os primeiros achados em 1989 na revista Journal of Traumatic Stress, validando a técnica como eficaz no tratamento de traumas, especialmente em veteranos de guerra e vítimas de abuso [7].

O EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares) rapidamente ganhou atenção científica e clínica. A abordagem parte do princípio de que eventos traumáticos mal processados ficam “congelados” no sistema nervoso, gerando sintomas crônicos. A estimulação bilateral dos hemisférios cerebrais (via movimentos oculares, sons alternados ou estímulos táteis) permite reprocessar essas memórias, integrando-as de forma adaptativa [8]. Ter boas memórias adaptativas ajuda no reprocessamento e na ressignificação das memórias que causam perturbação.

Carreira e Reconhecimento
Shapiro fundou o EMDR Institute em 1990, com o objetivo de treinar profissionais no método e ampliar a base de pesquisa. Foi também cofundadora da EMDR Humanitarian Assistance Programs (HAP), que leva a terapia a áreas afetadas por desastres e guerras.

Recebeu diversos prêmios e reconhecimentos por seu trabalho, incluindo:
• Prêmio da Associação Americana de Psicologia (APA) por contribuições à psicologia do trauma [9]
• Inclusão da abordagem EMDR em diretrizes internacionais (OMS, APA, NICE) como tratamento de primeira linha para TEPT [10]

Vida Pessoal
Shapiro foi descrita por colegas e alunos como reservada, mas profundamente comprometida com o cuidado humano. Viveu por décadas na Califórnia. Embora poucos dados sobre sua vida íntima tenham sido divulgados publicamente, sabe-se que era uma leitora ávida, interessada em filosofia e em espiritualidade de forma não institucionalizada [11].

De acordo com o obituário publicado no jornal The Guardian, ela se casou com Bob Welch, um psicólogo, no final da década de 1990. Não há relatos de filhos.

Morte 
Francine Shapiro faleceu em 16 de junho de 2019, aos 71 anos, com câncer novamente (sem dados do tipo). Não foram encontrados registros públicos sobre o cerimônia [1].

Legado
Francine Shapiro deixou um legado profundo e duradouro no campo da psicoterapia. Seu método, o EMDR, foi reconhecido por importantes instituições internacionais, incluindo a Organização Mundial da Saúde, a American Psychiatric Association e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, como uma das abordagens mais eficazes para o tratamento do transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) [12].

Frases Marcantes

 “As pessoas têm dentro de si os recursos para a cura. O EMDR apenas ativa esse processo.”
“Curar não é esquecer, mas integrar.”
“Você pode ser ferido. Mas pode se curar também.”

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Fontes e Referências
1. Wikipedia (EN) – Francine Shapiro
2. Wikipedia (FR) – Francine Shapiro
3. Wikipedia (DE) – Francine Shapiro
4. Jewish Virtual Library – Shapiro Surname
5. EMDR Institute – About Francine Shapiro
6.Shapiro, F.(2019). EMDR: terapia de dessensibilização e reprocessamento por meio dos movimento oculares. 3a ed. Cap. 1. pág. 7.
7. Shapiro, F. (1989). Efficacy of the eye movement desensitization procedure in the treatment of traumatic memories. Journal of Traumatic Stress.
8. APA Clinical Practice Guidelines
9. EMDRIA – Awards and Honors
10. World Health Organization – PTSD treatment guidelines
11. Shapiro, F. (2001). Getting Past Your Past: Take Control of Your Life with Self-Help Techniques from EMDR Therapy
12. World Health Organization. (2013). Guidelines for the management of conditions specifically related to stress. WHO. 

Nota final: Esta curta biografia foi elaborada com base em fontes públicas disponíveis até 03/08/2025.

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